terça-feira, 6 de setembro de 2016

A descolonização não exemplar



O colonialismo é efetivamente manchado por massacres, racismos e sucessivas ditaduras da incompetência, capitalismos sem ética, pirataria e escravismo. E a culpa é mesmo de um povo mau que, contudo, tem muitas coisas boas, bom como atuações de excelência individual que continuam a ser exemplares paradigmas, principalmente de atuações militares.
Claro que o colonialismo perde a validade quando ultrapassa o seu limite, no contexto de uma política internacional já não controlada pelo ocidente. Aliás, nem sequer pode durar por meras razões demográficas, tal como não aguenta o apartheid da África do Sul e do seu satélite rodesiano, provas de que é impossível uma tardia política de miscigenação, luso-tropical. Mesmo que imediatamente lançada no pós-guerra, por mais reformistas e democráticos que sejam os poderes metropolitanos. As maiores potências mundiais medem-se pelos povos que elas representam e elas já são, sem dúvida, da China e da Índia.
A eleição de Norton de Matos, Quintão Meireles ou Humberto Delgado, com a consequente demissão de Salazar, talvez nos antecipassem a democracia e a integração europeia, mas nunca vitalizar um império não passível de adaptaçãoao fim daquela guerra civil europeia que nós, europeus e ocidentais, criminosamente, transformamos em guerra mundial.

Claro que não há efetiva descolonização, mas abandono provocado, não por um projeto central, mas por uma concorrência de lutas pelo poder que, provocadas nas elites de base, sobem, através de intermediários, para os corredores dos próprios palácios do poder.