terça-feira, 6 de setembro de 2016

A teoria de Eça e de Oliveira Martins



Salgado Zenha, em 11 de março de 1976: a descolonização implicava necessariamente uma mutação histórica da vida económica e social portuguesa, porque, pelo menos desde o século XVIII, Portugal tem vivido em grande parte das remessas do exterior e durante a Monarquia, durante a República e durante a Ditadura nunca houve uma verdadeira política de independência nacional. Os nossos problemas eram quase sempre resolvidos pela emigração e pelas remessas dos emigrantes. E que Portugal não tem contado ultimamente com as suas próprias forças. Tem vivido nas potencialidades dos outros. Invoca Eça, na sua tese contra a colonização de Portugal pelo Brasil, o que teria produzido uma anemia da vida nacional, do verbalismo decadentista e da persistência de injustiças sociais gritantes, a que se tem respondido com a patrioteirice, ou seja, a técnica de mistificar as glórias do passado para esconder a inércia e as chagas do presente. Cita, a propósito, Oliveira Martins, para quem Portugal seria uma granja e um banco, uma granja pobre, assente numa mão-de-obra mal remunerada; um banco, para contabilizar o que recebíamos de fora e não produzíamos.