quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Afonso Mendes e o colonialismo



O colonialismo português é facílimo de definir: a escravatura, as guerras da pacificação, os abusos do poder, as violências físicas exercidas pelas autoridades administrativas, o trabalho forçado com todo o seu séquito de consequências bem pouco agradáveis de relatar, o errado uso e abuso da tutela durante o regime do indigenato, as medidas administrativas, a expropriação das terras que por direito costumeiro eram pertença da comunidade e não suscetíveis de apropriação individual, a deslocação das populações, as culturas obrigatórias, os inúmeros atentados contra o direito tradicional e a escala de valores dos africanos, etc., etc. As palavras não são de um movimento de libertação, mas de um especialista português em questões de trabalho, doutorado pelo ISCSPU, em 1966, com O Trabalho Assalariado em Angola, Afonso Mendes, regente da disciplina de Política Ultramarina na escola, de 1969 a 1971, em Aspectos Relevantes da Contra-Subversão, Luanda, Instituto do Trabalho, Previdência e Acção Social, 1968, estudo, depois desenvolvido, e apresentado no conselho de contrassubversão de Angola, onde defende que deverá criar-se com a maior premência uma doutrina justificativa dos erros do passado, minimizadora das suas consequências.