segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Colonialismo, anos vinte do século XIX


As transições decadentistas levam a décadas de crise psicológica, mesmo quando estão contra os ventos da história e a esperança dos povos. É assim com o processo da abolição do tráfico dos escravos e a própria extinção da escravatura. Logo, os líderes políticos que aguentam a degenerescência são diretamente proporcionais a esta sucessão de rebaixamentos de fins da política, quando não da própria suspensão dela.
Muitas das aventuras e desventuras de um império que se vai descobrir como exótico, no pós-Ipiranga, quando, nesse d’além, ainda funcionam em pleno as redes não-estaduais de poder, os governadores, e as outras autoridades nomeadas pelo centro, só mandam quando conseguem federar, em proveito próprio, os poderes fácticos locais, de colonos, assimilados e até de potentados gentios.
Tudo o que vem à rede do imposto é sustento e, como aquilo que o Estado paga aos seus serviçais é tão pouco que quase não para as despesas, torna-se inevitável a acumulação das incipientes funções públicas com a promiscuidade negocista, provocada pela inevitável compra e venda de poder nesses escalões do vasto império. Daí, a sucessão de plurais lealdades, nomeadamente a obediência básica ao abstrato príncipe do centro da monarquia, mas que ainda não é a uma pátria ainda romantizada como nação, por não terem chegado Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Teófilo Braga e os republicanos dos heróis do mar e do nobre povo, com nostalgia pelos egrégios avós.