segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O complexo de Chaimite



Em qualquer uma das aventuras construtivistas, com mentores, cartilhas e adesões, face a um pretenso desígnio nacional, com o consequente projeto de nação como comunidade imaginada, falha a preparação, a previdência e a persistência de Sancho Pança e vamos iludindo-nos com o lampejo das fúrias voluntaristas conjunturais, pelo recurso a sucessivos falsos Quixotes, para uma vitória do rapidamente e em força, numa qualquer operação guerrilheira de contraguerrilha, do tipo de Passaleão, de 1849, ou de Chaimite, de 1895. Mas sempre se teme um desastre militar de uma qualquer invasão, como a de Goa, em 18 de dezembro de 1961, com a consequente vingança de outro qualquer carro de cavalaria mecânica, capaz de prender o pretenso ditador, o dos nossos fantasmas e preconceitos. Basta um só dia de manhã clara, à boa maneira sebastianista, quando, cantando o Grândola, Vila Morena, pusemos cravos nas metralhadoras, quando o vencedor passou diante das floristas da praça do Rossio. E não é por acaso que a queda do regime do Vinte e Oito de Maio é precedida, em novembro de 1961, pelo primeiro desvio de um avião comercial na história do mundo, um super constelation da TAP que se desloca de Casablanca para Lisboa, para se distribuirem panfletos anti-salazaristas, num golpe do grupo de Palma Inácio, planeado por Henrique Galvão. O avião chama-se, em nome dos acasos da história, Mouzinho de Albuquerque.