sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O drama de uma escola de regimes



A Escola Colonial sempre viveu o drama de ser uma espécie de escola de regime, até porque constituiu um instrumento do aparelho de Estado, visando o cumprimento de uma política pública que dominou quase todos os recursos da nossa política externa, com as consequentes histórias oficiosas, como literatura de justificação institucional, perspetivada hierarquicamente, até pela existência de historiografias claramente inimigas, visando a extinção ou absorção da entidade. Com efeito, poucos meses depois do respetivo lançamento legislativo, por um governo progressista, logo se sucede um gabinete regenerador, havendo os inevitáveis choques clientelares que também constituem outro dos tiques da organização. Com o novo regime republicano dá-se apenas a reorganização do decreto orgânico (28 de dezembro de 1910). A escola é de maioria docente monárquica, durante o regime republicano, ficando também de maioria republicana durante a Ditadura. Não tarda que este reflexo condicionado a leve a turbulências posteriores, desde o conflito de seitas internas ao regime salazarista, nomeadamente com confrontos entre marcelistas e adrianistas, acabando em degradação com o PREC. Na imagem, a direção da escola nos primeiros anos do regime republicano. O presidente da escola é mesmo o nosso Bernardino Machado.