terça-feira, 6 de setembro de 2016

O fim da guerra colonial e o abandono do império



O Vinte e Cinco de Abril de 1974 é mais uma revolução de assentimento na linha da Regeneração de 1851, onde os futuros marechais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes desempenham a função anteriormente requerida a Saldanha, para que a tropa possa desencadear uma révolution d’en haut que tem no limite a própria hierarquia de uma subversão a partir do aparelho de Estado. É assim que rapidamente e em força se consegue uma aparente paz dos bravos para o fim da guerra colonial e o abandono do império, sem ilusões quanto a reformismos federalistas ou unitaristas.
A pior consequência desse processo, não são apenas os 500 000 ou 700 000 deslocados, ditos, de forma dolosa, retornados, quando muitíssimos nem sequer tinham visitado Portugal, mas os dias seguintes, de sangrentas guerras civis, em Angola e Moçambique.

É evidente que o poder militar português não tem força sequer, para policiar uma qualquer paz armada, entre movimentos locais que deixamos em atitude de conquista, ou apenas para proteger os ex-colonos e colaboradores, mas não podemos dar uma imagem de cobardia ou de deserção.