terça-feira, 6 de setembro de 2016

O salazarismo e as consequências da II Guerra Mundial


Na década de quarenta do século XX, o salazarismo colonial tem como principal aliado a Igreja Católica, através da Concordata e do Acordo Missionário, e tenta advogar o verso épico do nacionalismo da expansão, acirrando o feitiço do império (1940). Não observa que o PCP se reorganiza com Álvaro Cunhal e se prestigia culturalmente, com o comando do neorrealismo, ou realismo socialista. Nem sequer repara nos princípios estabelecidos para a nova ordem mundial, a partir da Carta do Atlântico (1941). Ainda vive na ilusão da belle époque e tem de sofrer o choque da ocupação japonesa de Timor (1942).

Assume a neutralidade colaborante com os Aliados (1943) e lança um dos seus mais brilhantes intelectuais, Marcello Caetano, como ministro das colónias (1944). Infelizmente, está na moda o racismo e teme-se o mestiçamento, com o advento tardio de uma teoria colonial raciológica, sem compreensão para as várias guerras coloniais que ocorrem no pós-guerra (1945). Mas no ano do lançamento da Cortina de Ferro (1946), raramente se assinala a criação da União Francesa, para, no ano seguinte, se chamar um admirador serôdio do fascismo para a pasta colonial, Teófilo Duarte (1947). Segue-se a candidatura de Norton de Matos à presidência da república, em nome da nação una (1948-1949), mas tudo se disfarça com o convite para sermos fundadores da NATO).