segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Primeira Torre e Espada na Flandres, na Grande Guerra, aluno da Escola Colonial




Américo Olavo Corrêa de Azevedo, antigo aluno da Escola Colonial e futuro ministro da guerra,  no testemunho Na Grande Guerra, Lisboa, Guimarães, 1919, na qualidade de antigo prisioneiro dos alemães e da primeira Torre e Espada no conflito, reconhece que Portugal, senhor de vastos e afastados domínios a cujas necessidades de defesa, de administração e de intercâmbio a sua reduzida frota de comércio não poderia bastar, necessitado duma ligação íntima e constante com o Brasil que com o peso do seu oiro lhe equilibra a balança comercial e de relações permanentes com os demais países de que importa as mercadorias indispensáveis à alimentação da sua população, estaria condenado ao isolamento, à ruína e ao desmembramento, desde a hora fatal em que lhe faltasse o concurso, o auxílio dos povos que, mercê da supremacia marítima, conservassem, detivessem a liberdade dos mares para satisfação das suas necessidades de ordem comercial e industrial. E sendo as suas duas maiores colónias mordidas profundamente na superfície do continente africano, confinantes com territórios dalguns dos povos em guerra, porventura dos dois que a aspiração de hegemonia sobre o mundo mais sacudiu e assanhou, reservava-as o futuro para teatro de sangrentas e duradouras operações em que se empenhariam as forças coloniais dum e doutro, às quais a escassez das nossas e a falta de tonelagem própria, indispensável à sua sustentação e reforço, nem poderiam impedir nem ao menos criar um arremedo, sequer, de embaraço. E quem sabe os ignorados destinos que a esses teatros de operações, ou melhor, de ocupação por parte do vencedor, estariam reservados, um dia, chegado o momento das negociações, da imposição duma nova ordem de cousas, impeditiva de futuras guerras sem que à mesa, em torno da qual se reunissem os representantes dos lutadores num desejo tardio de reconciliação, se sentasse também um delegado português, porta-voz dos nossos direitos e afirmação viva do nosso esforço, dos nossos sacrifícios, da nossa comparticipação.