domingo, 4 de setembro de 2016

Primeiro Volume



Era uma vez um pequeno e velho reino medieval que, há mais de seiscentos anos, se lançou numa sucessão de impérios, procurando o "d’além", para salvar o "d’aquém". Depois da ascensão e queda dos impérios marroquino e do indiano, veio o império brasileiro. Um insustentável peso do passado que sofreu com o grito do Ipiranga e foi obrigado a gerir dependências na balança da Europa. Nas possessões coloniais, onde se conjugava o verbo ter, foi continuando o tráfico de escravos, mas não deixou de tentar o de mercadorias, indeciso, entre o sonho do fomento e a tentativa de venda das colónias. Assim, chegou o capitalismo colonial e até se procurou a ciência da colonização, com a partilha de África. Sofreu-se a bancarrota, gerou-se o protecionismo e sempre em guerras de ocupação, que se prolongaram com o patriotismo imperial dos republicanos. Não há mundo que nos chegue, nem Índia que tenha sítio na nossa esfera armilar. Portugal sempre foi mais do que o seu próprio lugar.