domingo, 4 de setembro de 2016

Segundo Volume



Portugal que partiu já não pode regressar. Quem foi além de si mesmo, nunca mais pode voltar. Entre 1926 e 1976, a mesma entidade assistiu ao regresso ao d’aquém. O salazarismo, primeiro, ensaiou um Ato Colonial, que durou até às consequências da Segunda Guerra Mundial. Seguiu-se uma tentativa de regresso às províncias ultramarinas, com a oficialização de uma nova doutrina, o luso-tropicalismo. Finalmente, sucedeu-se a última das guerras coloniais. Com o Vinte e Cinco de Abril, deu-se o fim do Império da terra, pela descolonização, mas não tardou que se entrasse numa corrida à integração europeia, uma espécie de sucedâneo do velho Quinto Império. Mas a história continua. Fomos o princípio do caminho marítimo para o sonho de um novo mundo, fomos a primeira partida para todas as sete partidas e o último regresso de além mar. Somos ainda quem fomos e, na raiz do mais além, continuamos a procurar o mistério de um império, que não foi mas há de ser.