segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Uma tardia e prolongada guerra colonial




De 1961 a 1974, o primeiro e último dos impérios coloniais enreda-se numa tardia e prolongada guerra colonial, em quatro frentes africanas, de Angola (1961), à Guiné (1963), passando, depois, Cabinda (1963) e Moçambique (1964). Um longo crepúsculo, onde não parece bastar a revogação do Estatuto dos Indígenas, nem o retomar da lenga lenga do reformismo colonial entre a autonomia, o abandono e a integração. Salazar opta por aguentar, julgando que, em menos de um lustro seria inevitável uma nova guerra mundial e os aliados ocidentais teriam de socorrer-se de um Portugal que iria do Minho a Timor, para enfrentarem os soviéticos. Contudo, a partir de 1965, tanto se admite o assassinato do líder da oposição, Humberto Delgado, como se entrega a gestão do espaço colonial a um ministro burocrata, pouco dado a rasgos criativos, que gere a mera manutenção do poder, conforme as lições de política colonial da velha escola. Vale bem mais, como imagem propagandística do regime, o multirracialismo em termos futebolísticos, com a seleção dos Magriços de 1966, antes de se entregar o sistema aos modelos sul-americanos do Estado de Segurança Nacional (1967).